20 xuño 2008

A doutrina Guantánamo

Suspeito que se a Declaração dos Direitos Humanos é em realidade a Declaração UNIVERSAL dos Direitos Humanos é porque estes são de aplicação a todas as pessoas de todos os países. Se não for assim sobraria pôr o tal adjectivo. Quiçá seja isso o que propõe a União Europeia na sua penúltima directiva sobre imigração, tal e como já fizera de facto o Governo USA no Campo de Concentração de Guantánamo.

A directiva da União Europeia vulnera vários artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. A saber:

Artigo 2°.-(...) Não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3º.- Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 6°.-Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.

Artigo 7°.-Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8°.-Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9°.-Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10°.-Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.

Artigo 13°
1. Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
2. Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.

Todos estes direitos já levam algum tempo sendo violados por Estados Unidos com a permissividade da União Europeia, polo tanto não deveria de surpreenderemos tanto que agora fagam uma Directiva europeia baixo a Doutrina Guantánamo.

04 xuño 2008

A solução à crise do petróleo


Há alguns anos o Congresso norte-americano encomendou a uma comissão científica que desenvolvera uma simbologia que servira de advertência sobre o risco dos depósitos de resíduos nucleares. Tal simbologia deveria ser inteligível por quem quer que a visse dentro de 10.000 anos e transmitir "inequivocamente a advertência de perigo".

A comissão estava formada por físicos, antropólogos, neurólogos, psicólogos, biólogos, arqueólogos, artistas, etc.

O problema clave era estabelecer um diálogo com um futuro que fica a 10.000 anos para advertir de um perigo que se creia hoje. Os cientistas buscaram modelos nos símbolos mais antigos da humanidade (Stonehenge, as pirâmides, as pinturas rupestres....). Mas como muito conseguiam uma antiguidade de 4000 anos.

Os antropólogos recomendaram usar o símbolo da calavera, mas um historiador advertiu de que para os alquimistas uma calavera significava ressurreição .

Os linguistas concluiram que qualquer símbolo que se usasse não lograria transmitir "inequivocamente a advertência de perigo" mais alá de 2000 anos.

O que ficou claro no informe da comissão é que não somos capazes de informar ás gerações futuras dos perigos que geramos na nossa época. Embora este informe, os USA e os países mais desenvolvidos, continuamos a almacenar resíduos radioactivos.

E não só isso, senão que ademais querem convencer-nos de que a solução para evitar os problemas da contaminação de agora é contaminar para os próximos 10.000 anos. E o que venha atrás que arree.

08 abril 2008

Ânimo

Pois isso, ânimo.. e usar protector solar.

24 marzo 2008

"Não somos racistas"... por agora

Ultimamente é moda manifestar-se em Galiza em contra do realojamento de ciganos em distintos bairros de distintas cidades. O que já não é moda, se não tradição, é que a gente que se manifesta tão democraticamente coincida em assegurar ao mundo que "não somos racistas". Contudo a frase fica incompleta se não asseguram que o quê realmente não são é "ideologicamente racistas".

Verdadeiramente os manifestantes da Corunha e Pontevedra não têm uma ideologia que justifique a sua atitude definindo aos ciganos dos bairros pobres como seres inferiores merecedores da exclusão social e do repúdio dos habitantes respeitáveis e brancos dos bairros "detodalavida".

O que os move a manifestarse não é nenhum "Mein Kampf" com ansias de levar-se à prática nem nenhuma "Guerra Santa" contra o infiel calé. Nem tão sequer perseguem com cruzes cristãs incendiadas ao estilo do Ku Kux Klan a ninguém um pouco moreno de mais.

Assi pois, nem nazis, nem religiosos fanáticos.... de momento.

De momento digo, por que o que si são é racistas culturais. A cultura social dos "payos" corunheses e pontevedreses actua criando um sistema de hierarquização e categorização no que eles se situam em um plano de superioridade económica, social e política. Económica, porque dispõem de mais recursos; social, porque os postos de maior responsabilidade e respeitabilidade são maioritariamente ocupados por "payos"; e política porque ao ser maioria é a eles a quem se dirigem principalmente os políticos.

Os manifestantes, ao actuar como tales (é dizer, em grupo mais ou menos numeroso) começam a tomar consciência comum de tal superioridade e se convertem em pasto abonado para que qualquer um semente sobre eles uma ideologia racista. Consequência: não seria de estranhar que começaram a aparecer grupos neo-nazis em Pontevedra e em Corunha.

Por isto é que não consigo entender porque os políticos não condenam este tipo de manifestações. Nem consigo entender como é possível que em Corunha e ante presença policial (!!!!) um grupo de manifestantes impedisse o passo ao bairro de Mesoiro a uma furgoneta conduzida por um cigano, fizeram baixar ao assustado home, e o obrigaram a abrir o portão traseiro para comprovar que não estava de mudança.

Somos iguais em direitos e deveres também sem distinção de raça. Esto é assi por princípio e ademais por lei. As leis se podem cambiar, pero se mudamos alguns princípios básicos como este podem ocorrer duas cousas: ou a tirania ou a anarquia, ainda que em qualquer dos dous casos nos permitiram continuar votando.


10 marzo 2008

Voto inútil

Uma das cousas que se escoita a menudo antes das eleições é que se vai votar a tal ou qual partido maioritário porque se nom o nosso voto será um voto inútil. A gente supõe que, ao nom ter a sua opção preferida nenguma possibilidade de sacar um escano, o seu voto nom se contará e se tirará ao lixo.
Como em tantas outras cousas baseadas únicamente em crenças e nom em dados, estas suposições estam cheias de erros. O feito de que estes erros sejam continuamente cacarejados por os políticos e os media (que nom podem de nenguma maneira ser ignorantes ao respeito á realidade do sistema eleitoral), fai pensar que quiçá pretendam que a gente insista em o seu erro por que isto favore-os. Quiçá...
Estes erros tão repetidos som os seguintes:
  • - “É que senom, nom contan os votos”. MENTIRA. Todos os votos se contam. O que nom se fai é meter no reparto de escanos a aqueles que nom cheguen ao 5% dos votos totais válidos, porque, de todas maneiras, o teríam muito difícil para conseguir escano a nom ser que nom houvesse maiorias claras. Pero contar, contam-se TODOS.
  • - “É un voto tirado ao lixo”. CERTO, pero tíranse ao lixo exactamente igual que todos, excepto os de aquelas mesas nas que haja reclamações ou os votos sobre cuja validade exista algum tipo de dúvida. Estes, e só estes, som remetidos á Junta Eleitoral de Zona para que delibere e decida.
  • - “E que é um voto inútil por que total no vam sacar nada”. MENTIRA. A condiçom de voto inútil nom a dá votar a um partido minoritário. Se poidésemos fazer com os votos igual que se fai com as andorinhas para estudar os seus fluxos migratórios encontraríamo-nos com surpresas. Fagámo-lo figuradamente. Vamos pôr-lhe um anel ao voto de um “anti-voto inútil” que vote em a província de A Corunha.
As cinco primeiras forças políticas de esta circuncripçom foram, respeitivamente: PP, PSOE, BNG, IU e Voto Branco (estes dous últimos separados únicamente por 2500 votos). Excluirei á força “Voto Branco” pola escassa solidez do seu candidato.
Se fazemos a tábua correspondente ao reparto de escanos segundo a Lei D’Hont quedaría-nos o seguinte (clic para ampliar o quadro):


A Lei D’Hont consiste em dividir progressivamente o total de votos de cada candidatura polo número de escanos em jogo. É dizer, se há 5 escanos e um partido obtem 1000 votos, estes 1000 dividiranse desde 1 até 5 (1000/1, 1000/2, 1000/3, 1000/4 e 1000/5). O que se fai depois é atribuir aos quocientes maiores o escano correspondente. Esto está melhor explicado no enlace que vos deixo á Wikipedia.

Bem, como se ve na táboa que ponho mais arriba ao BNG sobrárom-lhe em Corunha 17.523 votos para facer-se com o escano que obtivo. Bastaria-lhe com obter um só voto máis que a casilha 4 do PSOE para ter o único escano que obtivo. Poderia-se dizer que 17523 votos do BNG na província da Corunha foram inúteis.
Da mesma maneira no PP há 23.833 votos inúteis e no PSOE 17.306 votos inúteis. É dizer, se cada um de este partidos deixa-se de receber este número de votos o resultado manteria-se inalterável. Exactamente igual. Consequência: há mais votos inúteis no PP, no PSOE e no BNG que em IU.
Se o nosso votante “anti-voto inutil” visse que o seu voto debidamente marcado cae na bolsa de éstes votos sobrantes, estaria na situaçom de que a raçom que o levou a votar a um partido que nom o convence já nom serve, mas com o agravante de que os políticos de isse partido se ocuparam de ussar o seu voto para dizer “... e ademais subimos em votos!!!”. Pobre votante “anti-voto inutil!!!! nom só o seu voto resulta ser inútil a efeitos práticos se nom que se torna útil a efeitos perversos!!!.

Esto passa por nom tomarse a sério isso de que as “urnas som a expressom da vontade do povo”. Cada quem deveria de votar sempre o que considere máis próximo ás suas ideias. Nom facé-lo tem como consequência um bipartidismo que nom é outra cousa que a perpetuaçom no poder de uma oligarquia elitista.

Apanhados estamos.

08 marzo 2008

Celebración de la voz humana

Los indios shuar, los llamados jíbaros, cortan la cabeza del vencido. La cortan y la reducen, hasta que cabe en un puńo, para que el vencido no resucite. Pero el vencido no está del todo vencido hasta que le cierran la boca. Por eso le cosen los labios con una fibra que jamás se pudre.

Del Libro de los Abrazos de Eduardo Galeano
ETA NUNCA MAIS (fartos nos tendes)

06 marzo 2008

Post com baile

Lindíssima canção na muito doce voz de Sara Tavares, do seu disco Balancê.
Dedicada a Paula e a Amalia, que sei que gostades de balançar.

26 febreiro 2008

La niñita

Suponho que tanto a equipa de Rajoy como a de Zapatero preparariam conscienciosa-mente isse alegado final que, ao estilo Perry Mason, dedicaram ao juri televisivo em o reallity de onte.
Nom posso evitar imaginar-me aos de Rajo Hoy dando o melhor de si mesmos para preparar "la historia de la niñita":
-¡Conviene que demos una perspectiva de futuro!
- Bien, entonces usemos la imagen de un niño, que siempre da mucho juego.
- De acuerdo, ¿pero no sería mejor una niña? que no parezca que solo son los del PSOE los que promueven la igualdad de oportunidades.
- O mejor un niño y una niña.
- ¡¡No, no!! que eso seria demasiado paritario.
- Una niña pues. Además Jose María ya le dedicó un libro a un joven español, por lo tanto tampoco discriminamos positivamente.
- ¿Le ponemos nombre?
- ¿Porqué no? Esperancita estaría bien.
- ¡¡Hombre, Mariano, se iba a notar mucho!! Déjanos a nosotros, que entendemos de esto.
- Mejor sin nombre: que hable de una niñita, sin más.
- Lo de niñita puede sonar demasido sensiblero.
- Bien pues entonces una niña, sin diminutivos y sin nombre pero con un gran futuro.
- De acuerdo.
.....aquí o típico silencio de quando se repassa mentalmente toda a estratégia, até que alguém fala:

- ¡¡Española, por supuesto!!
- Por supuesto.


20 febreiro 2008

Isse stress

Di-me o médico que estou stressado e que é por isso que vejo todo como se estivesse metido em um lenço de Munch. Todo dissstorsssionado.

Surpreende-me, porque conheço muita gente stressada, ou que parece stressada, e vêem normal, sem ondulações. Andam acelerados, isso si. Com pressa, a correr de um lado a outro rosnando sempre algo entre dentes. É um stress que vem da secular mania do tempo de ir sempre para adiante e de nom se parar a esperar polos planes que qualquer um tenha feito. Querem facer em 24 horas cousas que levam polo menos 26. E nom se pode.

Eu nom ando acelerado. Nom ando tão pendente do tempo. De feito nem sequer tenho relógio. Mas o problema de fundo segue a ser o mesmo: intentar abarcar mais do que se pode. Quero encarregar-me de 8 cousas e só podo prestar-lhe atenção a 6.

Até aqui o entendo. E até entendo que o meu corpo se rebele ante os excessos. Afinal de contas sempre fixo. O que nom entendo é porque tenhem que ser os meus olhos os que digam basta com o bem que me sentaria o típico transtorno intestinal para baixar uns quilinhos de mais.

A cuidar-se tocam.

12 febreiro 2008

Domina Hispania

O reducionismo com que os partidos políticos tratam o tema da imigração só é outro síntoma mais do patéticos que são os nossos políticos.

Por uma parte o PP põe no olho do furacão eleitoral a gente que não tem capacidade para decidir sobre as políticas que lhes serão aplicadas, mas faze-o ademais com o agravante de que apresenta como um problema a sua mera presença porquanto esta vem acompanhada de costumes “anti-espanholas”.

É dizer, expõe ante os espanhóis a possibilidade de decidir sobre o futuro de quem não o é. Esta mera possibilidade, assim exposta por Rajoy, situa aos espanhóis de RH numa posição dominante sobre o imigrante.

Indiscutível-mente: em qualquer âmbito quem decide sobre outros tem uma posição dominante, bem seja na empresa na família ou na política internacional.

A diferença é que os dominadores nestes âmbitos som-o dentro de estruturas mais amplas: perante a empresa há sindicatos, numa família as relações cara a cara, na política internacional..... bom, aqui é mais complicado, algo há, mas será coisa de um outro post.

Visto assi, os eleitores-dominantes espanhóis só procurarão manter a sua posição de dominação. Contrato de submissão po-lo medio ou não.

Por outro lado, o PSOE denuncia a atitude xenófoba e racista do PP. Bem feito. Mas o certo é que existe um problema. Sem embargo o problema não é que os imigrantes traiam os seus costumes com eles (só faltaria!), o problema é que se criam bolsas de pobreza des-assistida, e estas bolsas de pobreza são fonte de conflitos. Lógico.

No PSOE limitam-se a dizer que os imigrantes são básicos para o desenvolvimento económico do Estado. E esta afirmação, acompanhada da realidade das bolsas de pobreza, no faz sino pôr em evidência uma das contradições do sistema capitalista que tanto protege Solbes: dá-se-lhe carta de validade á equação Pais Rico=Aumento da Pobreza.

Patéticos. Votarei nulo.

11 novembro 2007

A primeira poténcia mundial

O título do vídeo é "São os americanos estúpidos?" e a resposta é o próprio conteúdo do vídeo, embora não é científico nem pretende sé-lo, mas creio que algo assim seria o sonho de qualquer governante totalitário, independentemente de se são elegidos polas urnas (como o caso de Bush) ou pelos ditadores (como o caso de Juancar, aínda que este nem sequer é governante).
Polo menos é divertido.

07 novembro 2007

Dinossauros 2.0

Os dinossauros eram os dominadores do mundo da sua era. Eram tão enormes e tão fortes que o resto das espécies que habitavam o planeta não tinham maneira de fazer-lhes fronte. Ante eles não podiam fazer outra cousa que fugir ou aventurar-se a morrer esmagados. Tal era o seu poder, tudo se adaptava à sua presencia por só ser presencia.
Estes enormes donos do mundo morreram por causa de um meteorito. Ao cair, o pó que levantou modificou o clima de tal maneira que o sangue frio dos dinossauros nao foi capaz de adaptar-se. Todos morreram então, e sobre a terra só ficaram os vassalos.

As multinacionais são os dinossauros de agora: grandes, fortes, de sangue frio e cérebro diminuto. Tao diminuto que são elas mesmas as que estam a lançar o meteorito contra a Terra.

04 novembro 2007

Realismo utópico

Quem se refere aos utópicos e as suas utopias, costuma usar frases que encerram certa condescendência para aqueles que, ingenuamente, crem em elas. Afinal de contas - dizem -todos sabemos que estam enganados porque uma utopia é irrealizável por definição.

Quem critica aos que crem em utopias, ampara-se em um hipotético realismo "pragmático" que, segundo eles, faz que as cousas dem certas. O que nunca dizem é que "dam certas" só para os mais fortes, nem que o seu realismo consiste em uma guerra de todos contra todos na que só os mais fortes sobrevivem. Em eles subjaze uma imagem da justiça com balança e espada, sim, mas com uma espada muito grande e uma balança desequilibrada.

As utopias, todas sem excepção, dam em descrever um mundo melhor. Um mundo no que reinam a paz, a harmonia, a justiça social e a concórdia como solução para todos os conflitos. Esse mundo está, invariavelmente, no futuro. É um mundo que ainda não existe porque ainda não chegou. O futuro por si mesmo não faz a utopia, mas também não a nega: não diz que não seja possível.

Os que dizem que não é possível são os realistas, que vivem no presente e que, a cada passo que dam, ficam já no seu passado. Se afrontamos o futuro desde a perspectiva "realista" chegaremos a ele imediatamente e o reconheceremos ao momento simplesmente porque já o vimos antes.
Isso não merece chamar-se futuro.

O futuro nada dá e nada nega. Polo tanto um futuro melhor só se pode construir com uma utopia.

23 outubro 2007

El hambre en Occidente

"El hambre en Occidente" é o título de um artigo de publicado na edição digital do diário Público (desconheço se também se publicou em papel).
Há que le-lo, não serve de nada que faça um resumo, mas como o artigo é longo vou pôr algumas das frases que mais me chamaram a atenção por se assim colaboro a vencer a vossa preguiça.

Confesaré que cada vez que pienso en hambrunas no me viene a la cabeza el vientre abultado de René ni la teta escurrida de Samia sino la voracidad aplaudida de Joey Chestnut (campeón mundial de comer hotdogs), como símbolo publicitario de una economía que no puede permitirse siquiera calmar el apetito de los saciados....

...Está el hambre de los que no tienen nada y el hambre de los que nunca tienen suficiente; el hambre de los que quieren algo y el hambre de los que quieren siempre más: más carne, más petróleo, más automóviles, más teléfonos móviles, más imágenes, más juguetes y -también- una moralidad superior. La relación entre ambas insatisfacciones es un sistema global. Queríamos un hombre libre y tenemos un hambre libre.

22 outubro 2007

O que não sae nas notícias

Todo o que não queres saber.
Ademais de certo, serve de publicidade de uma cadeia de notícias.

17 outubro 2007

São da cor da terra

Durante estes dias passados, no entanto polo Passeio da Castelhana madrilenha desfilavam tanques, soldados e palavras grandiloqüentes, celebrou-se em Sonora, México, o I Encontro Continental dos Povos Indígenas de América.
Podem-se tirar muitas conclusões de estas jornadas, cada quem colha as suas, mas eu guardo para mim as palavras do discurso do Subcomandante Marcos nas sessões preparatórias do encontro:

Para los pueblos indios de América la disyuntiva es la opción entre vivir o morir.

Como pueblos de raiz maya, los pueblos zapatistas se enfrentaron a la amenaza de ser exterminados. No era con bombas, no era con balas como nos estaban matando, sino con enfermedades. Con miseria y con pobreza. Pero la enfermedad más dañina, la que más nos estaba matando, es la del olvido.

Por eso nosotros dijimos que nos levantábamos contra el olvido. Nuestra guerra es una guerra contra el olvido.

En el camino de fuego que seguimos los encontramos a ustedes y a gente como ustedes. Y descubrimos que era mejor arma la de la palabra que la del fuego.

Desde 1994 una y otra vez hemos insistido en la palabra, pero ya no nos dirijimos a los que están arriba, a los gobiernos, sino a gente de abajo, como ustedes.

Encontramos aquí una cosa común que es difícil encontrar.
Algo que nos una, que nos haga iguales.
Al mohok, al dakota, al rarámuri.
Y descubrimos que es el dolor lo que nos une.

A partir de pasado mañana en Vicam, vamos a descubrir que nos une también la lucha por la vida.


15 outubro 2007

Decálogo empírico

Qualquer prantexamento científico começa com uma evidencia empírica. Eis o mundo, empiricamente falando:
  1. As 225 fortunas mais grandes do mundo sumam um bilhom de dólares, o que equivale á renda anual acumulada dos 2,5 milhões de pessoas mais pobres do planeta, é dizer o 40% da população mundial.
  2. O património das 15 pessoas mais ricas do planeta equivale ao PIB de todos os países do sul do Sahara exceptuando Suráfrica.
  3. As ventas de cada uma das 100 principais multinacionais supera as exportações do conjunto dos 120 países mais pobres do planeta.
  4. Em Brasil, o pais mais grande da Sudamerica, o 2% dos terratenentes possuem o 43% das terras cultiváveis.
  5. O 20% da população do mundo acapara o 80% das suas riquezas e o 60% do consumo de energia.
  6. A media da esperança de vida no continente africano é de 47 anos. Ao outro lado do estreito de Gibraltar, em Espanha, é de 87 para as mulheres e 83 para os homens.
  7. Desde 1990 a 1998 o número de pobres no planeta acrescentou-se em 100 milhões de pessoas.
  8. Os países do terceiro mundo, onde vive o 85% da população mundial, constitue tão só o 25% do mercado farmacêutico mundial. Em 2001, cada 30 segundos morria um neno de paludismo em estes países.
  9. Durante cada um dos dias de 2001 se cambiaram perto de 1 bilhom de dólares. O 13% de esta quantidade correspondia a pagamentos polo comércio de mercadorias, o 87% restante era pura transacção monetária, sem creação de valor.
  10. 2.000 milhões de pessoas em todo o mundo dispõem de menos de um dolar ao dia para viver.
Estas são só dez, mas há muitas mais evidencias "empíricas" de que o sistema é genocida. Os estudiosos das Ciencias Económicas não tenhem em conta estas consequências da aplicação "científica" das suas teorias porque tratam ás pessoas como mercados, é dizer como objectos em vez de como sujeitos. E os objectos que não tenhem utilidade (que não são "produtivos" dentro da sua lógica) são estorvos que acabam no lixo.

Extraido de "Los nuevos amos del mundo" de Jean Ziegler

11 outubro 2007

A outra globalização

Os índios Sarayaku são uma tribo do Amazonas ecuatoriano que durante miles de anos vivem em harmonia com o seu entorno. Cada ano, fazem um inventário da Terra. Recorrem o seu território observando as plantas, catalogando quais estão mais vigorosas e quais mais ressentidas pola colheita do ano anterior. O mesmo fazem com os animais, e observam se existe míngua importante na povoação de alguma espécie. Quando tenhem feito este catálogo da terra, reúnem-se e decidem quê cultivar esse ano de maneira que se mantenha o equilíbrio do seu entorno, plantando espécies diferentes conforme ás necessidades das plantas, dos animais e, por suposto, de eles mesmos.

Na terra Sarayaku, sem embargo, habita também o “diabo negro”, um líquido viscoso e fedento que nada lhes aporta aos Sarayaku. Mas como sabemos, este diabo tem poderosos adoradores, sacerdotes de magia negra que procuram almas para o inferno.

Desde há algum tempo a Shell pousou os olhos no território Sarayaku e fixo valer os acordos de livre comércio assinados polos governos equatorianos. Como sempre fazem, trataram de comprar o território dos índios e instalar os seus poços. Mas não contavam com a resposta dos Sarayaku.

Estes índios não são os salvagems vestidos com taparrabos dos que gostam os documentarios da National Geographic. Não estão ailhados do mundo “civilizado”, mas só colhem de el o que lhes sirve e deixam fóra o que nom. Tanto é assi que até tenhem conexiom a internet e uma pagina web propia!!

Cada vez que um helicóptero da Shell intenta tomar terra no seu território, toda a povoação Sarayaku sae das suas casas para pôr-se debaixo e impedir-lhe tocar o chão. No caso de que algum chegue a aterrar, dezenas de índios rodeam a cada um dos empregados da Shell e os levam, misturados na multitude, até o povoado, onde os tratam como hóspedes até que alguém vai a buscá-los.

Para os índios Sarayaku a globalização é, de momento, o que em realidade deveria ser. O respeito á diferencia serve para aprender de ela.

09 outubro 2007

O preço do desprezo

Dizem que no em tanto a desprezos não o há maior que o de não fazer aprecio. Ignorar alguém ou algo é muito pior que considerá-lo “pouca cousa” em quanto que não se reconhece nem a sua existência. Pouca cousa sempre é mais que nada.

Em geral os habitantes do mundo rico não percebem a fame que provocam seus governos, nem as guerras que financiam, nem as enfermidades que permitem nem a pobreza que impõem.

Todo isto fica tam longe da gente do mundo rico que não sao conscientes do problema porque simplesmente não o conhecem, e como ignorantes, são inocentes. Mas desde o momento em que se param a pensar em isto e solucionam o seu conflito moral dizendo "sempre foi assi, sempre houvo pobres", a sua ignorância passa a ser um desprezo consciente.

O feito de intentar varrer para debaixo do tapete milhões de mortes injustificadas é o maior dos desprezos. Mas 852 milhões de esfomeados e 2000 milhões de pobres não se podem ignorar tam facilmente.

Comprova-o: tenta contar até 852.000.000, e cada vez que digas um número pensa que é uma pessoa: 1, 2, 3, 4, 5,6.......... E cada umha de essas pessoas tem dentro a capacidade de opor-se a um trato injusto, .... 7, 8 , 9, 10 ..... e muitas de elas começam a ser conscientes de onde reside a injustiça, ........ 100, 101, 102 ....... e entre elas, como fixo a humanidade desde sempre, falam para conseguir objectivos comúns ....... 10.000, 10.001, 10.002 ...... e a nossa civilização supõe um perigo certo para eles....... 851.999.997, 851.999.998, 851.999.999 e 852.000.000.

Ou reaccionamos ou acabaremos pagando o justo preço do nosso desprezo.

30 abril 2007

Castrad la calma de los tibios

El artículo de Gonzalo Sanchez-Terán de este fin de semana era Castrad el alma de los tibios, pero leí mal el título, y donde Sánchez-Terán puso el alma, yo puse la calma.
Le cambié el título por error, pero después de leer todo el artículo me ratifico: los que permiten tales cosas no tienen alma que castrar, pero disfrutan de una insultante calma que no merecen.

(La foto es del propio Gonzalo Sánchez-Terán: Mujeres y niños en las afueras de Koukou, a donde han llegado desde Tiero huyendo de los rebeldes)